MARCO ANTÔNIO

Marco Antônio Feliciano

Campeão mundial em Bangu

Marco Antônio Feliciano, ex-lateral-esquerdo, hoje com 59 anos, é um tricampeão mundial que jogou no Bangu. Na Copa de 70, Marco Antônio jogou contra a Romênia e o Peru. Em 1981, ele foi contratado por Castor de Andrade para vestir a camisa alvirrubra quando estava com 30 anos e no auge da forma.

Antes do Bangu, Marco Antônio jogava pelo Vasco, mas nem ele mesmo sabe por qual valor foi vendido. Fato curioso é que o lateral-esquedo lembra de cor as escalações do Bangu de 1981, 1982 e 1983. Recitou todas, uma a uma, deixando qualquer torcedor surpreso, ainda mais se levarmos em conta que ele atuou em vários clubes.

Em 1983, deixou Moça Bonita para atuar pelo Botafogo e registrou em sua passagem 106 jogos, com 48 vitórias, 34 empates, 24 derrotas e 7 gols marcados. Além dos números, o tempo fez com que Marco Antônio concretizasse uma boa amizade com Marinho, Mococa, Tecão e Renê.

A partida mais marcante que disputou foi contra o Botafogo de Ribeirão Preto pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão de 1983. O empate em 1 a 1, em Moça Bonita, impediu o Bangu de subir para a Primeira Divisão:

“O Bangu errou em ter ido com tudo pra cima desde o início. Podia ter cadenciado e matado o jogo na boa. O Bangu tinha tudo para ir muito mais longe naquele ano. Lembro do meu gol de falta que foi importante, mas não deu para sair com a vitória. A torcida empurrou, pressionou e até foguete jogou pra cima dos caras do Botafogo…”

O tricampeão do mundo citou os três técnicos que teve: Décio Esteves, Jorge Vieira e João Francisco e esclareceu um dos episódios mais polêmicos de sua passagem: os tiros que Castor deu para o alto para fazê-lo treinar.

“É verdade. Eu dormia no treino. Isso aconteceu porque tinha acabado de ficar viúvo. Estava deprimido, triste, cansado, sem dormir. O “homem” pegou a arma e largou o dedo mesmo, não foi pra cima não!”

Na época, Marco Antônio morava em Ipanema e tinha, pode-se dizer, uma vida “nababesca” no Rio: “Tudo o que eu pedia o ‘homem’ me dava. Nunca me faltou nada”. E para ilustrar tamanha época de fartura no Bangu, ele lembrou essa história:

“Quando cheguei ao clube com o Renê o Castor nos levou pra dar uma volta de Mercedes pelo bairro. Eu estava triste na época e ele me perguntou a razão. Haviam roubado o meu carro e ele me mandou passar na concessionária dele para pegar um. Acabou que algumas semanas depois acharam o meu carro em Ponta Porã e eu acabei ficando com dois”.

Outro ponto que não há como deixar de citar são os polpudos bichos do Dr. Castor… nessa hora, Marco Antônio abre um largo sorriso:

“Pouca gente sabe, mas depois do tiro e sabendo da minha tristeza, o Castor me deu algo como se fosse hoje uns 5 mil reais. Eu sempre recebia em dinheiro, nunca em cheque. Mas tinha uma lógica: jogo do bicho não aceita cheque, não tem conta em banco”.